Artificial: Andrew Garfield é Sam Altman no filme que transforma a crise da OpenAI em cinema

Artificial: Andrew Garfield é Sam Altman no filme que transforma a crise da OpenAI em cinema
Redação Café com Nerd

Talvez a coisa mais estranha sobre Artificial seja perceber que a história contada pelo filme aconteceu há tão pouco tempo.

Não estamos falando de uma empresa esquecida, de uma tecnologia que já pertence ao passado ou de um escândalo corporativo que levou décadas para ser compreendido. Estamos falando da OpenAI, de Sam Altman e de uma crise que aconteceu em 2023, quando o mundo ainda estava tentando entender o tamanho da transformação provocada pelo ChatGPT.



Agora, Andrew Garfield interpreta Sam Altman em um filme dirigido por Luca Guadagnino que transforma aqueles cinco dias de caos em um drama de bastidores sobre poder, tecnologia, ambição e, principalmente, sobre as pessoas que decidiram o que fazer com uma das tecnologias mais importantes deste século.

E depois de assistir ao trailer, fica difícil não pensar em uma pergunta: como transformar uma história que ainda está acontecendo em um filme?

O trailer de Artificial deixa tudo com um clima estranho

O primeiro trailer de Artificial não parece apresentar uma simples cinebiografia de Sam Altman.

Existe alguma coisa mais sombria na maneira como Luca Guadagnino enquadra aqueles personagens. A tecnologia está presente, claro, mas o que realmente chama atenção são os rostos, os corredores, as reuniões e aquela sensação constante de que alguma coisa está prestes a dar errado.



E sabemos que deu.

Em novembro de 2023, Sam Altman foi demitido do cargo de CEO da OpenAI. O que poderia ter sido apenas uma mudança executiva rapidamente se transformou em uma crise gigantesca. Poucos dias depois, Altman estava de volta.

Foram cinco dias completamente fora da curva.

É justamente esse período que está no centro do filme de Guadagnino. :contentReference[oaicite:1]{index=1}

O mais curioso é que o trailer parece querer nos fazer esquecer, por alguns minutos, que sabemos como a história termina.

Andrew Garfield não quer simplesmente imitar Sam Altman

Artificial: Andrew Garfield é Sam Altman no filme que transforma a crise da OpenAI em cinema

Essa talvez seja a parte mais interessante de Artificial.

Andrew Garfield poderia ter seguido o caminho mais óbvio: estudar os trejeitos de Sam Altman, copiar sua maneira de falar, reproduzir sua aparência e tentar entregar uma imitação reconhecível.

Mas não foi exatamente isso que ele fez.

Garfield contou que nunca conheceu pessoalmente Altman. Para construir o personagem, trabalhou a partir do roteiro, entrevistas, transcrições judiciais e outras pesquisas. O objetivo não era simplesmente descobrir “como Sam Altman age”, mas entender o tipo de pessoa que poderia ocupar aquela posição de poder. :contentReference[oaicite:2]{index=2}

E aqui o filme fica muito mais interessante.

Porque Andrew Garfield está interpretando uma pessoa real, mas também está interpretando uma ideia.

A ideia de alguém que está no centro de uma revolução tecnológica que pode mudar completamente a sociedade.

Isso muda tudo.

O lado sombrio de Sam Altman que Garfield tentou entender

Artificial: Andrew Garfield é Sam Altman no filme que transforma a crise da OpenAI em cinema

Em entrevista sobre o filme, Garfield foi bastante direto ao falar sobre a responsabilidade de interpretar alguém como Altman.

O ator chegou a relacionar seu processo de preparação ao conceito de “shadow self”, associado à psicologia de Carl Jung: aquela parte de nós mesmos que preferimos rejeitar ou fingir que não existe.

É uma abordagem bastante diferente para um personagem como Sam Altman.

Garfield não está dizendo que conhece a personalidade real do executivo. Pelo contrário. Ele deixa claro que nunca o encontrou. O que fez foi tentar entender quais características humanas podem existir em alguém que assume uma responsabilidade tão gigantesca. :contentReference[oaicite:3]{index=3}

Isso também ajuda a explicar por que o trailer não parece interessado em transformar Altman simplesmente em herói ou vilão.

O filme parece estar procurando a pessoa no meio dessa disputa.

Mas afinal, sobre o que Artificial realmente é?

Sam Altman - OpenAI - ChatGPT

Se você olhar apenas para a sinopse, pode imaginar que Artificial será um filme sobre uma demissão.

Sam Altman sai.

A diretoria entra em conflito.

Funcionários reagem.

Altman retorna.

Fim.

Mas seria simplificar demais a proposta.

A história da OpenAI em 2023 virou um ponto de encontro entre tecnologia, dinheiro, política corporativa e diferentes visões sobre o futuro da inteligência artificial.

De um lado estava a pressão para desenvolver tecnologias cada vez mais poderosas. Do outro, existiam preocupações sobre segurança, controle e os riscos envolvidos nesse processo.

O filme coloca essas pessoas dentro da mesma sala.

E isso pode ser muito mais interessante do que simplesmente contar uma história sobre computadores.

Ilya Sutskever também está no centro dessa história

Artificial: Andrew Garfield é Sam Altman no filme que transforma a crise da OpenAI em cinema

Um dos personagens que merece atenção é Ilya Sutskever, interpretado por Yura Borisov.

Sutskever foi um dos cofundadores da OpenAI e uma das figuras centrais na decisão de afastar Altman em 2023.

No filme, ele aparece como uma das forças que ajudam a transformar o conflito interno da empresa em uma crise pública.

Monica Barbaro interpreta Mira Murati, enquanto Cooper Hoffman assume o papel de Greg Brockman. Ike Barinholtz aparece como Elon Musk e Mark Rylance interpreta o cientista Geoffrey Hinton. O elenco ainda conta com Jason Schwartzman, Zosia Mamet, Chris O’Dowd, Billie Lourd e outros nomes. :contentReference[oaicite:4]{index=4}

Isso mostra que Guadagnino não está contando apenas a história de um homem.

Ele está tentando transformar a crise da OpenAI em uma história de personagens.

E Luca Guadagnino no meio de tudo isso?

Essa é outra escolha que me deixa particularmente curioso.

Luca Guadagnino não é exatamente o primeiro diretor que você imaginaria para um filme sobre uma guerra corporativa envolvendo inteligência artificial.

Mas talvez seja justamente por isso que a escolha funcione.

Guadagnino tem uma maneira muito particular de observar pessoas e relações. E Artificial parece precisar muito mais disso do que de cenas espetaculares mostrando computadores e códigos.

O verdadeiro conflito está entre as pessoas.

Quem confia em quem?

Quem tem medo de quem?

Quem realmente acredita no futuro da tecnologia?

E quem está apenas tentando garantir que continue tendo poder quando esse futuro chegar?

Essas perguntas parecem muito mais importantes para o filme do que explicar tecnicamente o funcionamento de uma inteligência artificial.

O mais curioso é que Artificial também teve sua própria crise

Existe uma ironia quase perfeita na história desse filme.

Artificial fala sobre uma empresa que passou por uma enorme disputa interna e quase perdeu o controle da própria narrativa.

E o filme também passou por uma situação complicada antes de chegar aos cinemas.

Amazon MGM Studios originalmente estava envolvida na produção e distribuição do longa, mas acabou abandonando o projeto depois que as filmagens já haviam terminado.





A decisão ganhou ainda mais repercussão porque a Amazon havia anunciado um investimento de US$ 50 bilhões na OpenAI. A empresa afirmou que o filme estaria melhor servido caso fosse lançado por outro estúdio. :contentReference[oaicite:5]{index=5}

Depois disso, a Neon adquiriu os direitos de distribuição mundial.

É difícil não perceber a ironia.

Um filme sobre uma das maiores crises corporativas da história recente da tecnologia acabou vivendo sua própria pequena crise corporativa.

Quase parece material para uma continuação.

Artificial pode ser mais desconfortável do que parece

Existe outro detalhe que me chamou atenção no projeto.

Estamos acostumados a ver filmes sobre grandes empresários como histórias de ascensão.

O jovem visionário.

A empresa criada em uma garagem.

A tecnologia que muda o mundo.

O sucesso.

Artificial parece estar interessado no momento em que essa narrativa começa a rachar.

Porque criar algo revolucionário é uma coisa.

Descobrir o que fazer quando aquilo começa a crescer muito mais rápido do que você imaginava é outra.

E talvez seja exatamente esse o coração do filme.

Por que Artificial chega em um momento tão interessante?

Quando a história aconteceu, muita gente ainda estava tentando descobrir o que o ChatGPT significava.

Hoje, a conversa mudou.

Inteligência artificial já está sendo discutida em escolas, empresas, estúdios de cinema, redações, agências de publicidade e praticamente qualquer setor que envolva produção de informação.

A discussão deixou de ser “isso vai acontecer?”

Agora é “o que vamos fazer com isso?”.

Por isso, um filme como Artificial chega em uma situação curiosa.

Ele não está contando uma história sobre um futuro distante.

Está tentando dramatizar o nascimento de uma realidade que ainda estamos vivendo.

E isso pode fazer toda a diferença.

Artificial não precisa transformar Sam Altman em vilão

Talvez seja justamente aqui que Andrew Garfield consiga entregar algo mais interessante.

Um vilão tradicional seria fácil.

Um gênio incompreendido também.

Mas uma pessoa real é muito mais complicada.

Sam Altman não precisa ser apresentado como o homem que vai destruir o mundo para que o filme funcione. Da mesma forma, não precisa ser transformado no visionário que vai salvar a humanidade.

O conflito fica muito mais interessante quando existe espaço para contradição.

É exatamente isso que o processo de Garfield parece buscar.

Ele não tentou descobrir apenas o que tornaria Altman diferente dele. Também tentou reconhecer características que poderiam existir dentro de qualquer pessoa.

E essa talvez seja a parte mais inquietante de Artificial.

Porque fica muito mais fácil apontar para alguém e dizer “eu nunca faria isso”.

É muito mais difícil perguntar: o que eu faria se tivesse esse poder?

O trailer de Artificial deixou uma impressão diferente

Artificial: Andrew Garfield é Sam Altman no filme que transforma a crise da OpenAI em cinema

Depois desse primeiro contato, não vejo Artificial apenas como “o filme sobre Sam Altman”.

Ele parece ser uma história sobre o momento em que tecnologia e poder começaram a se misturar de uma maneira que ninguém consegue mais ignorar.

Andrew Garfield parece estar levando a sério a responsabilidade de interpretar uma figura tão controversa.

Luca Guadagnino parece estar interessado nas pessoas por trás da tecnologia.

E o roteiro de Simon Rich tem diante de si um acontecimento real que, por incrível que pareça, já tinha estrutura de roteiro antes mesmo de Hollywood chegar perto dele. :contentReference[oaicite:6]{index=6}

O resultado pode ser um dos filmes mais curiosos sobre tecnologia dos próximos anos.

Não porque vai mostrar uma inteligência artificial destruindo o mundo.

Mas porque pode mostrar algo muito mais próximo da realidade: seres humanos tentando decidir o que fazer depois de perceberem o tamanho daquilo que criaram.

E talvez seja essa a pergunta que Artificial realmente quer fazer

Quando assistimos a um filme de ficção científica, normalmente sabemos quem é o monstro.

Às vezes é uma máquina.

Às vezes é um alienígena.

Às vezes é uma inteligência artificial que decide que os humanos são o problema.

Artificial parece querer complicar essa fórmula.

Porque, neste caso, o perigo não precisa necessariamente estar dentro da máquina.

Pode estar nas pessoas que decidem até onde ela deve chegar.

E, olhando para o trailer, talvez seja justamente isso que torne o filme tão interessante.

Estamos diante de uma história sobre Sam Altman, OpenAI e uma crise que aconteceu em cinco dias.

Mas também estamos diante de uma história sobre poder, responsabilidade e medo.

E talvez, no fim das contas, Artificial não seja um filme sobre inteligência artificial.

Talvez seja um filme sobre nós.

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