Imagine um Velho Oeste em que revólveres dividem espaço com máquinas extraordinárias, criminosos ameaçam pequenas comunidades e forças sobrenaturais tornam tudo ainda mais perigoso. Agora, coloque nessa mistura uma animação adulta e uma história sobre até onde alguém pode chegar para proteger a própria família. Essa é a proposta de Bass ex Machina, nova série da Netflix que combina faroeste, ficção científica, fantasia e steampunk.
Com estreia anunciada para 3 de novembro de 2026, a produção aposta em um universo que parece familiar, mas segue suas próprias regras. No centro da história está Bass, um pai obrigado a assumir os papéis de juiz, júri e executor em uma terra dominada pela violência. O problema é que suas tentativas de proteger quem ama podem acabar afastando justamente as pessoas que deseja salvar.
O que esperar de Bass ex Machina?
A série apresenta um mundo sem lei, no qual máquinas, bandidos e ameaças sobrenaturais fazem parte de uma realidade bastante hostil. Bass precisa tomar decisões difíceis em um ambiente onde a justiça não parece funcionar e a sobrevivência depende de escolhas que nem sempre são moralmente simples.
A premissa abre espaço para cenas de ação, conflitos familiares e dilemas sobre vingança e responsabilidade. Afinal, quando alguém acredita que precisa fazer justiça com as próprias mãos, em que momento a proteção da família se transforma em uma nova forma de violência?
A animação é produzida pelo Studio Mir, conhecido por trabalhos como A Lenda de Korra e Voltron: O Defensor Lendário. Brian Tyree Henry dá voz ao protagonista, acompanhado por nomes como Janelle Monáe, Tati Gabrielle e Cree Summer.
Steampunk: quando o futuro usa máquinas do passado

O grande diferencial visual de Bass ex Machina está na combinação entre o Velho Oeste e o steampunk. Esse subgênero da ficção científica imagina realidades em que tecnologias avançadas se desenvolvem a partir de referências do passado, especialmente da era industrial e das máquinas a vapor.
Engrenagens expostas, metais, mecanismos complexos e uma estética que lembra a Era Vitoriana são elementos comuns nesse imaginário. Obras como A Liga Extraordinária e Steamboy mostram como essa mistura pode transformar a história em um enorme laboratório de possibilidades.
Em Bass ex Machina, a proposta ganha um tempero diferente. Em vez de ficar restrita a cidades industriais e invenções inspiradas no século XIX, ela encontra o cenário dos pistoleiros, dos caçadores de recompensa e das cidades isoladas do Oeste. É como se a Revolução Industrial tivesse seguido um caminho alternativo em um território onde a lei já era frágil.
Cyberpunk: tecnologia avançada, problemas bem humanos

Se o steampunk olha para um passado reinventado, o cyberpunk costuma projetar futuros dominados por computadores, implantes cibernéticos, inteligência artificial e grandes corporações. O visual frequentemente combina neon, cidades superpovoadas e contrastes sociais profundos.
Blade Runner, Akira e Cyberpunk: Mercenários ajudam a entender essa estética. Nessas histórias, o avanço tecnológico não significa necessariamente uma vida melhor. A sociedade pode se tornar mais sofisticada enquanto seus habitantes enfrentam exploração, desigualdade e perda de autonomia.
Steampunk e cyberpunk seguem caminhos visuais diferentes, mas compartilham uma pergunta: como a tecnologia transforma a sociedade? Em Bass ex Machina, essa discussão aparece em uma realidade alternativa na qual máquinas e forças sobrenaturais convivem com a brutalidade de um faroeste sem lei.
Amazofuturismo: o futuro também pode nascer da ancestralidade

Existe outra maneira de imaginar futuros tecnológicos, e ela tem raízes brasileiras. O amazofuturismo é um subgênero da ficção científica que combina referências culturais dos povos indígenas amazônicos com tecnologias imaginadas e uma relação de respeito com a natureza.
O conceito visual começou a ganhar forma com as artes de João Queiroz, em 2019. Na literatura, o escritor Rogério Pietro desenvolveu e consolidou a proposta, tornando-se uma das principais referências do movimento e autor do romance Amazofuturismo, publicado em 2021.
Nesse universo, a tecnologia não precisa surgir de cidades metálicas, arranha-céus ou máquinas a vapor. Ela pode dialogar com conhecimentos ancestrais, biodiversidade e formas de compreender a vida que colocam a floresta e seus habitantes no centro da narrativa.
Essa perspectiva ajuda a ampliar nossa visão da ficção científica. Enquanto o cyberpunk frequentemente imagina sociedades tecnologicamente avançadas e socialmente degradadas, o amazofuturismo propõe futuros que valorizam a ancestralidade indígena, a inovação e a harmonia ambiental. Não se trata apenas de colocar computadores na Amazônia, mas de imaginar outras maneiras de desenvolver e compreender a tecnologia.
Por que esses futurismos importam para a cultura pop?
O interesse por subgêneros como steampunk, cyberpunk e amazofuturismo mostra que a ficção científica não precisa imaginar um único tipo de futuro. Cada estética carrega referências históricas, preocupações sociais e diferentes formas de enxergar o progresso.
Bass ex Machina aposta em uma combinação visual e narrativa que pode atrair quem gosta de faroeste, fantasia e ficção científica. Já o amazofuturismo demonstra que também podemos construir futuros a partir de referências brasileiras, reconhecendo a riqueza dos povos indígenas e suas relações com a natureza.
São propostas diferentes, mas que ajudam a lembrar uma coisa: o futuro imaginado pela cultura pop não precisa seguir sempre o mesmo caminho. Às vezes, ele nasce de uma máquina a vapor; em outras, de uma cidade iluminada por neon. E também pode surgir de uma floresta amazônica na qual ancestralidade e tecnologia caminham juntas.
Conclusão
A primeira temporada de Bass ex Machina chega com uma mistura promissora de faroeste, steampunk, ação e fantasia. Sua proposta também abre uma boa oportunidade para revisitar a diversidade dos futurismos na cultura pop e entender como cada subgênero constrói sua própria visão do progresso.
Para quem acompanha animações adultas e mundos alternativos, vale ficar de olho na estreia. E, quando o assunto é imaginar o amanhã, vale olhar também para a produção brasileira: o amazofuturismo de Rogério Pietro mostra que nossos futuros podem ser tão inventivos quanto qualquer metrópole cyberpunk ou cidade movida a vapor.








