Filhos do Privilégio: o terror da Netflix que se perde no mistério

Filhos do Privilégio: o terror da Netflix que se perde no mistério
Redação Café com Nerd
6 mins de leitura

O que você faria se começasse a perceber que os acontecimentos estranhos ao seu redor não são apenas fruto da sua imaginação?

É justamente essa pergunta que movimenta Filhos do Privilégio, filme alemão lançado pela Netflix em 2022 que mistura terror sobrenatural, suspense adolescente e uma conspiração escondida por trás de uma família aparentemente perfeita.



Na superfície, Finn parece ter tudo. Ele vem de uma família rica, estuda em uma escola de elite e está cercado por jovens que vivem uma realidade muito distante da maioria das pessoas.

Mas existe um problema.

Finn carrega um trauma de infância. E, conforme acontecimentos cada vez mais estranhos começam a acontecer, ele passa a desconfiar que aquilo que sua família chama de trauma pode ser algo muito mais assustador.

Filhos do Privilégio acompanha Finn, um adolescente de família rica que começa a investigar acontecimentos sobrenaturais ao lado de sua amiga Lena. O que começa como uma série de situações inexplicáveis acaba revelando uma conspiração envolvendo sua própria família. O filme é estrelado por Max Schimmelpfennig, Lea van Acken e Tijan Marei e está disponível na Netflix.



Ficha técnica

  • Título: Filhos do Privilégio
  • Título original: Das Privileg – Die Auserwählten
  • Ano: 2022
  • Gênero: Terror, suspense e sobrenatural
  • Direção: Felix Fuchssteiner e Katharina Schöde
  • Elenco: Max Schimmelpfennig, Lea van Acken e Tijan Marei
  • Duração: 1h47
  • Distribuição: Netflix

Um trauma que talvez não seja apenas psicológico

Finn não consegue esquecer a morte da irmã Anna. Anos depois da tragédia, ele continua tendo pesadelos e experiências perturbadoras.

A família acredita que tudo seja consequência do trauma.

E seria uma explicação bastante razoável.

O problema é que as coisas começam a ficar estranhas demais para serem ignoradas.

Quando acontecimentos sobrenaturais passam a atingir pessoas próximas, Finn começa a questionar aquilo que sempre ouviu. Será que ele está realmente perdendo o controle da própria mente? Ou sua família está escondendo alguma coisa?

Essa dúvida é uma das melhores partes do filme.

Durante um bom trecho, Filhos do Privilégio consegue trabalhar justamente com essa incerteza. O espectador não sabe se deve acreditar em Finn ou nas pessoas ao redor dele.

O mistério envolvendo a família

Ao lado de Lena, interpretada por Lea van Acken, Finn começa a investigar o que está acontecendo.

E quanto mais os dois procuram respostas, mais percebem que existe algo errado por trás da fachada perfeita daquela família.

O título do filme também ganha um significado interessante nesse contexto. Os personagens vivem em um ambiente de riqueza e privilégios, mas esse conforto parece esconder um preço.

A ideia poderia render uma crítica social bastante interessante: jovens que nasceram cercados de oportunidades descobrindo que seus privilégios estão ligados a decisões tomadas pelas gerações anteriores.

O filme até flerta com essa discussão.

O problema é que ele não consegue desenvolver completamente todas as ideias que apresenta.

Filhos do Privilégio: o terror da Netflix que se perde no mistério

Quando o terror começa a perder o controle

É justamente aqui que Filhos do Privilégio começa a dividir opiniões.

A premissa é interessante. A primeira parte cria uma atmosfera de mistério e deixa algumas perguntas no ar. Só que, conforme a história avança, o roteiro começa a acumular ideias diferentes demais.





O filme passa por terror sobrenatural, conspiração, trauma psicológico, possessão, experiências científicas e elementos relacionados a fungos.

Em vez de ampliar o mistério, essa mistura acaba deixando a narrativa cada vez mais difícil de acompanhar.

Críticas publicadas na época apontaram justamente esse problema. O filme começa com potencial, mas perde força quando tenta explicar demais e acaba chegando a um terceiro ato considerado confuso e pouco convincente.

Um filme que não agradou todo mundo

A recepção de Filhos do Privilégio foi bastante dividida.

No Rotten Tomatoes, o filme aparece com 25% de aprovação entre os críticos, enquanto o Metacritic registra uma recepção predominantemente negativa.

Entre os principais problemas apontados estão o roteiro, os personagens pouco desenvolvidos e a maneira como diferentes gêneros são misturados sem que a história consiga equilibrá-los.

Por outro lado, algumas avaliações reconheceram que o filme é divertido justamente por misturar terror, conspiração e elementos sobrenaturais.

Ou seja: não é exatamente um caso em que todo mundo concordou que o filme é ruim. A questão é que a ideia parece ter prometido mais do que o roteiro conseguiu entregar.

Max Schimmelpfennig e Lea van Acken

Um detalhe interessante para os fãs de séries alemãs é que Max Schimmelpfennig e Lea van Acken também fazem parte do elenco de Dark.

Em Filhos do Privilégio, Schimmelpfennig interpreta Finn, enquanto Lea van Acken vive Lena, sua principal parceira na investigação.

Os dois funcionam como o centro da história, principalmente durante a fase em que o filme aposta mais no suspense e na descoberta do mistério.

Vale a pena assistir?

Se você gosta de filmes adolescentes de terror e não se incomoda com histórias que misturam vários conceitos, Filhos do Privilégio pode funcionar como uma opção para uma noite de suspense.

Mas é melhor não esperar uma nova referência do gênero.

O começo é mais interessante do que a conclusão, e a investigação de Finn cria uma expectativa que o filme tem dificuldade para sustentar até o final.

Conclusão

Filhos do Privilégio tinha todos os ingredientes para funcionar.

Uma família rica com segredos. Um adolescente traumatizado. Uma série de acontecimentos sobrenaturais. Uma amiga disposta a investigar. E uma conspiração escondida por trás de uma vida aparentemente perfeita.

O problema é que o filme parece querer colocar todas as ideias possíveis dentro da mesma história.

O resultado é curioso. Quando aposta no mistério e deixa Finn questionando a própria sanidade, Filhos do Privilégio consegue criar momentos interessantes. Quando começa a explicar suas ideias e acelerar a conspiração, perde boa parte da força construída anteriormente.

Talvez o maior privilégio do filme tenha sido justamente sua premissa.

Porque havia uma boa história escondida ali.

Só faltou encontrar a melhor maneira de contá-la.


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