Os rumores sobre o fechamento do Tippett Studio foram muito exagerados. Após um fim de semana difícil para os fãs de efeitos práticos, animação stop-motion e magia cinematográfica artesanal, a lendária empresa de efeitos visuais esclareceu seu futuro e confirmou que não está encerrando suas atividades.
A confusão surgiu após a notícia de que o estúdio de Berkeley, na Califórnia, deixaria de funcionar. O local histórico realmente está sendo fechado, encerrando um capítulo importante de mais de quatro décadas. Mas existe uma diferença fundamental entre fechar uma sede e acabar com uma empresa.
O próprio Tippett Studio confirmou que está mudando sua estrutura física e sua abordagem de produção. A companhia continua trabalhando com efeitos visuais e animação, enquanto sua operação em Toronto permanece ativa, inclusive envolvida atualmente na produção de um longa-metragem.
O Tippett Studio não fechou completamente. A empresa está deixando sua histórica instalação em Berkeley, mas continua atuando na produção de efeitos visuais e animação. O estúdio também informou que o stop-motion continuará fazendo parte de suas capacidades criativas, recorrendo a estruturas externas quando determinados projetos exigirem palcos, fabricação, motion control ou outros recursos especializados.
Principais Informações
- A sede histórica do Tippett Studio em Berkeley está sendo encerrada.
- O Tippett Studio continua em atividade.
- A operação de Toronto permanece funcionando.
- O stop-motion continuará entre as capacidades criativas da empresa.
- Phil Tippett possui uma carreira de mais de 40 anos nos efeitos visuais.
- Tippett participou de produções como Star Wars, RoboCop, Jurassic Park e Starship Troopers.
- A famosa frase “I think I’m extinct” realmente foi dita por Tippett durante a produção de Jurassic Park.
- A frase acabou sendo incorporada ao roteiro do filme de Steven Spielberg.
- O rumor sobre o fechamento
- A trajetória de Phil Tippett
- O dia em que Phil Tippett disse “I think I’m extinct”
- De ameaça tecnológica a uma nova era
- O legado do Tippett Studio
- O futuro do estúdio
- Curiosidades
- Perguntas Frequentes
O rumor sobre o fechamento do Tippett Studio
A notícia de que Phil Tippett estaria encerrando seu estúdio rapidamente chamou a atenção de fãs de cinema e de efeitos visuais. Afinal, poucos nomes estão tão ligados à evolução dos efeitos especiais de Hollywood quanto o artista responsável por algumas das criaturas mais memoráveis da história do cinema.
O problema foi que a informação acabou sendo interpretada como se o Tippett Studio estivesse encerrando completamente suas atividades. O esclarecimento posterior da empresa mostrou que a realidade é diferente.
A instalação de Berkeley realmente está chegando ao fim. O espaço foi durante décadas uma espécie de santuário para a animação e os efeitos visuais artesanais, reunindo modelos, equipamentos, esculturas, ferramentas e outros elementos ligados à história da companhia.
Mas o estúdio explicou que está adotando uma estrutura mais flexível. Em vez de manter permanentemente uma grande infraestrutura física para todas as etapas de produção, determinadas necessidades serão atendidas por instalações externas especializadas.
A trajetória de Phil Tippett
Para entender por que a notícia provocou tanta comoção, é preciso voltar algumas décadas.
Phil Tippett começou a construir sua reputação como especialista em stop-motion e efeitos visuais. Fascinado desde jovem pelo trabalho de mestres como Ray Harryhausen, ele desenvolveu uma obsessão por compreender como criaturas poderiam ganhar vida quadro a quadro.
Sua carreira ganhou enorme projeção quando trabalhou na Industrial Light & Magic, participando de projetos fundamentais para a história dos efeitos visuais. Entre eles estão Star Wars, The Empire Strikes Back e Return of the Jedi.
Foi nesse período que Tippett ajudou a desenvolver e aperfeiçoar o go-motion, uma evolução do stop-motion tradicional que utilizava movimentos controlados durante a exposição para produzir um efeito de movimento mais natural.
Em 1984, Phil Tippett fundou seu próprio estúdio em Berkeley. A partir dali, o Tippett Studio se transformou em uma referência mundial em animação, criaturas e efeitos visuais.
Seu trabalho passou por filmes como RoboCop, Dragonslayer, Starship Troopers e diversas outras produções que ajudaram a definir o cinema de fantasia e ficção científica.
O dia em que Phil Tippett disse “I think I’m extinct”

Talvez nenhum episódio represente melhor a trajetória de Tippett do que o que aconteceu durante a produção de Jurassic Park.
Quando Steven Spielberg começou a desenvolver o filme, a ideia era utilizar técnicas tradicionais de animação para dar vida aos dinossauros. Tippett e sua equipe estavam preparados para aplicar sua experiência com stop-motion e go-motion.
Então a tecnologia mudou o jogo.
A equipe da Industrial Light & Magic começou a experimentar dinossauros totalmente gerados por computador. Quando Tippett viu os primeiros testes digitais, percebeu que algo gigantesco estava acontecendo diante de seus olhos.
Segundo relatos sobre a produção, Spielberg perguntou a Tippett o que ele achava daquelas imagens. A resposta foi curta e se tornaria uma das frases mais famosas da história dos efeitos visuais: “I think I’m extinct.” Em português, algo como “Acho que estou extinto.”
Portanto, sim: a história é verdadeira. Não se trata apenas de uma frase inventada posteriormente para criar uma boa anedota sobre a chegada do CGI.
A própria ILM registra o episódio em sua retrospectiva sobre a evolução da animação e confirma que a frase de Tippett foi incorporada ao filme.
Em Jurassic Park, a fala aparece adaptada em uma conversa entre Alan Grant e Ian Malcolm. Grant diz que eles estão sem emprego, e Malcolm responde: “Don’t you mean extinct?” (“Você não quer dizer extintos?”).
A ironia é perfeita. O homem que acreditou ter se tornado obsoleto diante do computador acabou sendo fundamental para o nascimento dos dinossauros digitais.
De ameaça tecnológica a uma nova era

O mais interessante nessa história é que Phil Tippett não desapareceu quando o CGI ganhou espaço.
Ao contrário, ele passou a trabalhar justamente na interseção entre sua experiência tradicional e as novas ferramentas digitais. O Tippett Studio ajudou a desenvolver o Dinosaur Input Device, conhecido como DID, um sistema que permitia aos animadores manipular uma estrutura física de dinossauro enquanto seus movimentos eram convertidos em dados para animação digital.
Essa combinação mostrou que a chegada da computação gráfica não precisava significar o abandono imediato de tudo que havia sido desenvolvido durante décadas de animação tradicional.
O conhecimento de Tippett sobre anatomia, movimento, peso e comportamento das criaturas continuava sendo extremamente valioso. Jurassic Park acabou se tornando justamente um exemplo de como diferentes técnicas poderiam trabalhar juntas.
O trabalho no filme rendeu a Phil Tippett seu segundo Oscar. A Academia reconhece Tippett entre os vencedores de Melhores Efeitos Visuais de Jurassic Park, ao lado de Dennis Muren, Stan Winston e Michael Lantieri.
O legado do Tippett Studio
O fechamento da sede de Berkeley, portanto, representa o fim de uma era física, mas não necessariamente o fim de uma filosofia.
Durante mais de 40 anos, o Tippett Studio participou da transformação da indústria de efeitos visuais. A companhia passou de uma estrutura profundamente ligada ao stop-motion para uma casa de efeitos capaz de trabalhar também com computação gráfica, animação digital e diferentes tecnologias de produção.
O próprio estúdio afirma que sua história inclui mais de quatro décadas de criatividade e que sua atuação combina tecnologia de efeitos visuais com a tradição do stop-motion.
É justamente essa capacidade de adaptação que torna a história de Tippett tão interessante.
O que acontece agora com o Tippett Studio?
A empresa afirma que continuará trabalhando em efeitos visuais e animação. Sua operação canadense permanece ativa e o estúdio de Toronto está envolvido atualmente em uma produção de longa-metragem.
O stop-motion também não foi abandonado. A diferença é que a companhia não pretende mais manter uma grande estrutura física permanente para todas as necessidades desse tipo de produção.
Quando um projeto exigir cenários específicos, fabricação de modelos, motion control ou outros recursos físicos, o estúdio poderá recorrer a instalações externas especializadas.
Isso significa que o fim do endereço histórico de Berkeley deve ser visto como uma mudança de modelo, e não como a morte da empresa.
Curiosidades
- Phil Tippett trabalhou em algumas das produções mais importantes da história dos efeitos visuais.
- Ele ajudou a desenvolver o go-motion, uma evolução do stop-motion tradicional.
- O artista ganhou dois Oscars por seu trabalho em efeitos visuais.
- O primeiro veio por Return of the Jedi e o segundo por Jurassic Park.
- A frase “I think I’m extinct” foi realmente dita por Tippett após assistir aos testes digitais de Jurassic Park.
- Steven Spielberg gostou tanto da frase que ela acabou sendo incorporada ao roteiro.
- O trabalho de Tippett em Jurassic Park ajudou a conectar a experiência da animação tradicional com a nova geração de artistas digitais.
Perguntas Frequentes
O Tippett Studio fechou?
Não completamente. A empresa está deixando sua histórica instalação de Berkeley, mas confirmou que continuará realizando trabalhos de efeitos visuais e animação.
Phil Tippett vai se aposentar?
O encerramento da sede de Berkeley não significa automaticamente a aposentadoria de Phil Tippett. O artista continua associado ao legado e às atividades criativas do estúdio.
Phil Tippett realmente disse “I think I’m extinct”?
Sim. A frase é atribuída ao próprio Tippett após ele assistir aos testes de dinossauros criados por computação gráfica para Jurassic Park. A ILM registra o episódio e explica que a fala foi incorporada ao filme.
O que Phil Tippett fez em Jurassic Park?
Tippett atuou como supervisor ligado à animação dos dinossauros e ajudou a equipe a aplicar conhecimentos de movimento e comportamento animal. O Tippett Studio também participou do desenvolvimento do Dinosaur Input Device, que conectava técnicas tradicionais à animação digital.
O stop-motion acabou no Tippett Studio?
Não. A empresa afirmou que o stop-motion continua sendo uma de suas capacidades criativas. O que muda é a necessidade de manter uma grande estrutura permanente dedicada a esse tipo de produção.
Conclusão
Existe uma ironia quase perfeita no momento vivido pelo Tippett Studio.
Mais de três décadas atrás, Phil Tippett olhou para os primeiros dinossauros digitais de Jurassic Park e acreditou, por um instante, que sua própria arte estava prestes a se tornar coisa do passado. “I think I’m extinct.”
Mas ele não estava extinto. Aprendeu a conviver com a nova tecnologia, ajudou a moldar a animação digital e continuou influenciando gerações de artistas.
Agora, o endereço que durante décadas simbolizou essa trajetória está desaparecendo. É uma perda significativa para a história do cinema, principalmente para quem valoriza a arte física dos modelos, bonecos, esculturas e animação quadro a quadro.
Mas a história do Tippett Studio não termina com as portas de Berkeley. A empresa afirma que continuará trabalhando, o stop-motion continua fazendo parte de suas ferramentas criativas e a operação de Toronto segue ativa.
No fim das contas, talvez não exista maneira melhor de interpretar esse momento do que lembrar justamente da frase que marcou a carreira de Phil Tippett. Em 1993, ele achou que estava extinto. Décadas depois, a tecnologia mudou novamente, o modelo de produção mudou e uma sede histórica chegou ao fim.
Mas Phil Tippett e seu legado continuam vivos.









